Mais um ano se foi. Ao longo de 2009, muitas foram as preocupações com os reflexos da crise econômica mundial que eclodiu em 2008, e que afetou, em efeito cascata, o sistema financeiro internacional, especialmente o norte americano.
Com a crise de crédito que então se instalou, todos os setores da economia americana foram afetados como uma bola-de-neve, forçando o governo local a aprovar pacotes de ajuda emergencial que montam a US$1,5 trilhão de dólares, para ajudar principalmente os bancos afetados com os derivativos lastreados nas hipotecas "subprime", as empresas de créditos e as montadoras de automóveis.
Na Europa, os governos da Alemanha, França, Espanha, Reino Unido e de Portugal, além de outros países, também anunciaram ajudas bilionárias ao sistema financeiro, e tomaram medidas para proteger a indústria local e manter os níveis de emprego. O mesmo aconteceu nas principais economias asiáticas.
A crise de confiança nos mercados que se sucedeu, gerou impacto, principalmente, na quantidade de dinheiro disponível em todo o mundo, aumentando, em conseqüência, o custo do dinheiro. E o encarecimento do crédito paralisou os planos de investimentos das empresas e levou a população a consumir menos, levando a um crescimento geral do nível de desemprego. E essa situação perdura até hoje.
No Brasil, os reflexos da crise foram menos intensos uma vez que o país já contava com um sistema financeiro mais estruturado e dotado de controles rigorosos, em razão de crises anteriormente vividas, como as mudanças de planos econômicos e de moedas. Porém, a economia brasileira não ficou imune, uma vez que a recessão nos EUA e em países da Europa acabou por reduzir a demanda por produtos brasileiros. Essa queda na venda de mercadorias para o exterior causou perdas aos exportadores brasileiros, diminuindo suas receitas. A mineração e o setor siderúrgico foram fortemente atingidos pela crise e só agora, no final de 2009, as empresas desses setores começam a ver a luz no final do túnel.
Passado o impacto mais contundente da crise, é preciso que sejam aceleradas as obras necessárias à adequação da infra-estrutura do país à demanda atual e futura, para que nossa economia possa crescer de forma constante e sustentável nos próximos anos, e gerar empregos e riqueza.
Espera-se que o Governo Federal não se deixe seduzir pelo canto da sereia, sempre presente em anos eleitorais, desviando sua atenção e recursos para obras e ações eleitoreiras, e mantenha os investimentos programados em áreas prioritárias, tais como, educação, saúde e saneamento em todo o país.
É imprescindível que paralelamente sejam adotadas ações consistentes para permitir a redução do "Custo Brazil" e para assegurar o incremento do nível de produção industrial e das exportações.
E, finalmente, é preciso que o processo eleitoral em 2010 seja conduzido com isenção e discrição para que a escolha dos futuros governantes possa se fazer efetivamente com base nas melhores propostas e programas de ação, e não levada apenas pela emoção do discurso vazio.
Esperemos que o ano novo seja pleno de boas notícias para o mundo como um todo e, em especial, para o Brasil. Que venha o novo ano!