O estado do Rio de Janeiro é hoje uma das três maiores economias do país, contando com um parque industrial diversificado. Tem ainda sua economia fortemente baseada na indústria do turismo e na prestação de serviços. A participação de sua economia no PIB nacional é da ordem de 12,6%.
Nas últimas décadas, contudo, à exceção da indústria de óleo e gás, não houve significativa atração de novos investimentos para o estado. Como todos os demais estados brasileiros, o Rio de Janeiro convive com problemas crônicos de infra-estrutura, o que afeta substancialmente sua capacidade de ampliação de empregos e geração de riquezas.
Uma das principais obras projetadas para solucionar em parte os gargalos de sua infra-estrutura é o Arco Metropolitano, licitado em abril de 2008, que consiste numa rodovia de pista dupla que vai unir a BR-101, na altura do município de Itaboraí, ao porto de Itaguaí, contornando toda a região metropolitana da cidade do Rio de Janeiro e cortando todas as principais rodovias que servem a cidade (Presidente Dutra, Rio-Bahia, Rio-Belo Horizonte-Brasília e a própria BR-101, ao norte e ao sul da capital).
De outro lado, a questão da segurança pública representa hoje um dos principais problemas a ser enfrentado. Os índices de criminalidade do estado são alarmantes, e sua população - especialmente a da cidade do Rio de Janeiro - convive com situação comparável à de cidades de países subdesenvolvidos.
Na sua recente visita ao Rio para se reunir com os dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Organizador Rio 2016, o novo coordenador do programa Cidades Mais Seguras para Assentamentos Humanos das Nações Unidas (ONU), Elkin Velásquez, a esse propósito, comparou a situação da capital carioca com Medellín, cidade colombiana que foi no passado dominada pelo narcotráfico. Segundo ele, que acredita na melhora progressiva do combate à violência na cidade do Rio de Janeiro, somente após um trabalho consistente de integração das comunidades, melhorando a convivência entre as pessoas, a violência diminuiu em Medellín. E elogiou o programa de implantação das Unidades de Polícia Pacificadora nas favelas do Rio.
O Rio acaba de ser escolhido para sediar os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, sendo que mais da metade das instalações necessárias já estão prontas, incluindo aquelas construídas para os Jogos Pan e Parapan Americanos Rio 2007. Já para a Copa do Mundo FIFA 2014 de Futebol, paralelamente à remodelação do Estádio do Maracanã, o Rio receberá investimentos maciços em infra-estrutura que muito contribuirão para acelerar a economia do estado.
É hora, pois, de os governos federal, estadual e municipal se aproveitarem dessa oportunidade histórica e juntarem esforços para livrar de vez o Rio do narcotráfico e da violência urbana, e colocá-lo na condição de destino mundial preferencial de turismo e de cidade com efetiva qualidade para se viver.
Não será com a simples substituição do helicóptero abatido pelo tráfico que esse objetivo será alcançado. Será, sim, com a consciência de que a violência no Rio é um problema de segurança nacional, e que as ações para resolver definitivamente tal problema sejam adotadas de forma coordenada e consistente em todos os níveis de governo.
Ainda não é tarde demais para salvar o Rio!
ANTÔNIO FERNANDO G. PINHEIRO,
Advogado-sócio
AGENDA PMR - NÚMERO 38 - NOVEMBRO DE 2009