Não está longe nossa memória o grave apagão aéreo ocorrido no final de 2006 quando os controladores de vôo fizeram a chamada operação-padrão causando atrasos de até 24 horas nas operações, e acarretando prejuízos de toda sorte a milhares de passageiros e a importantes setores da economia, em particular à rede hoteleira.
Em julho de 2007, o aeroporto de Congonhas que recebia 18,4 milhões de passageiros, quando tinha uma capacidade para, no máximo, 12 milhões de passageiros por ano, foi palco de um grave acidente aéreo que deixou quase 200 mortos, ficando evidente que as condições de sua pista principal contribuíram significativamente para o acontecido, apesar da reforma que nela havia sido realizada meses antes.
Desde então pouco se fez para a busca de soluções adequadas e permanentes para a infra-estrutura aeroportuária do país. O crescente aumento da demanda de vôos não foi equacionado e é visível a deficiência dos nossos aeroportos.
Com a proximidade da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, mais dramática fica essa situação. A estimativa da Infraero é de que, com a elevação da demanda no período da Copa, mais de 28,7 milhões de passageiros transitem pelos 16 principais aeroportos do país nos meses de junho e julho de 2014, o que corresponde a um aumento de 69% em relação aos 17 milhões registrados em junho e julho deste ano.
Apesar dos investimentos de R$6,5 bilhões recentemente anunciados pela Infraero, a situação é extremamente grave e preocupante. Não bastantes as deficiências crônicas já detectadas, a cada nova temporada de chuvas afloram a incerteza e a insegurança dos passageiros e de seus familiares. Uma vez mais corremos contra o relógio e a improvisação!
O que você pensa?
ANTÔNIO FERNANDO G. PINHEIRO
Advogado-sócio
